Saiba nesse artigo o que é Materialismo Histórico e entenda o Método Materialista Histórico Dialético para pesquisa científica. Entenda um pouco mais sobre a teoria social de Karl Marx e como ele fundamentou seu pensamento ao longo de sua vida, elaborando as bases metodológicas para a pesquisa no âmbito da sociedade.

Precisa entender o método materialista histórico dialético para um projeto de pesquisa acadêmico, monografia ou outro tipo de TCC? Vamos te orientar sobre a epistemologia dialética de Marx para você organizar sua pesquisa científica.

Você vai conhecer as principais leis e categorias do Materialismo Histórico Dialético e entender também a diferença fundamental e inovadora desse método para os métodos positivista e fenomenológico. Fique por dentro!!!

Veja o que você vai encontrar neste artigo:

O que é materialismo histórico?

O que foi o Materialismo Histórico Dialético de Karl Marx?

Materialismo Histórico Dialético

Para entender o que é Materialismo Histórico é preciso percorrer a origem deste pensamento. O método dialético foi pensado e estruturado durante toda vida do filósofo alemão Karl Marx (1818-1883) com auxílio de colaboradores como Engels e posteriormente Lênin.

Para estruturar seu pensamento, Marx bebe direto da fonte do idealismo clássico alemão que tem como expressivos pensadores como Hegel, Kant, Schelling, Fichte. Estudou também o socialismo utópico e pensadores como Saint-Simon e Fourier, na França, e Owen, na Inglaterra. Já sobre a economia política, estudou autores ingleses como D. Ricardo e Smith.

No entanto, o método marxista teve suas raízes em Hegel e em seu idealismo objetivo. A base desse idealismo Objetivo aceitava que todos os fenômenos naturais e sociais tinham sua base na Ideia Absoluta.

Marx incorporou de Hegel várias bases fundamentais do marxismo para erigir seu método materialista histórico dialético e a teoria social marxista, conceitos como o de alienação e, principalmente, seu ponto de vista dialético sobre a sociedade. No entanto, Karl Marx se contrapôs a várias dessas ideias e fundamentos de Hegel desenvolvendo-os no interior de sua concepção materialista do mundo.

A teoria de Hegel se situava no interior do idealismo objetivo, já a teoria de Marx centra-se no materialismo objetivo, ou seja, em princípios filosóficos de concepção de mundo essas teorias são totalmente distintas.

Método Dialético Marxista

Entendendo o Materialismo Histórico de Karl Marx

O Método Dialético Marxista

Marx iniciou suas formulações teórico-metodológicas aproximadamente em 1840, apoiadas em uma forte reflexão materialista, devido à influência de Feurbach e sua obra “Crítica à filosofia do direito de Hegel: introdução”, redigida entre 1843 e 1844.

Mas, é a partir de 1844 que inicia um importantíssimo movimento de deslocar suas críticas da filosofia para a crítica da economia política, o que fica explícito na obra “Manuscritos econômico-filosóficos” de 1844.

Mas é na obra “A ideologia alemã“, escrita em 1845/46, que Marx menciona:

[…] decidimos elaborar em comum nossa oposição contra o que há de ideológico na filosofia alemã; tratava-se de fato de acertar as contas com a nossa antiga consciência filosófica. O propósito tomou corpo na forma de uma crítica da filosofia pós-hegeliana.” (MARX, 1982, p. 26).

Outras fontes que estruturaram o Materialismo Histórico Dialético de Karl Marx

Outro pensador importante que influenciou diretamente o pensamento marxista foi Feuerbach, de quem Marx se apropriou da concepção materialista da realidade. Feuerbach ficou reconhecido por se contrapor às ideias de Hegel. Em 1845 Marx e Engels escrevem as famosas Teses sobre Feuerbach rebatendo sua concepção filosófica e traçando parte importante dos postulados marxistas.

Já no ano de 1847 Marx publica os pontos decisivos de sua opinião de modo científico, pela primeira vez, na obra Miséria da Filosofia (Misère de la Philosophie etc.), dirigido contra Proudhon.

Mas, foi entre dezembro de 1847 e janeiro de 1848, pouco antes da revolução de fevereiro de 1848 na França que ele redige o tão conhecido “Manifesto do partido comunista”, obra reconhecida mundialmente. Foi nesse manifesto que Marx e Engels expõe abertamente suas visões de mundo, seus objetivos e suas tendências. (MARX; ENGELS, 2008).

Método materialista histórico dialético

O que é o método histórico dialético?

Método materialista histórico dialético de Karl Marx

Após anos de imersão em estudos sobre a economia política que Marx escreve uma Introdução em seus escritos para a crítica da Economia Política que apresentará, de modo sintetizado, as bases metodológicas do materialismo histórico dialético.

Essa síntese viabiliza toda análise que desenvolveu em sua obra mais conhecida: “O Capital”. Essa obra representa a fundação de sua teoria social.

Triviños (1982) analisa que Marx erigiu seu método materialista histórico dialético sobre as bases da dialética hegeliana, mas que rejeitou todo conteúdo idealista da mesma, inserindo em suas bases filosóficas a concepção materialista de mundo, da história e do pensamento.

Dessa forma, o materialismo enquanto método não é apenas uma dimensão ontológica, mas também gnosiológica, tendo em vista que estudo o conhecimento e a teoria do conhecimento como expressões históricas.

Marx é reconhecido por revolucionar o pensamento filosófico, principalmente por expor seu ponto de vista político em seus escritos nos estudos sobre economia política.

Epistemologia Dialética

Epistemologia Dialética: características do método dialético para pesquisa científica

Principais características e fundamentos do método materialista histórico dialético

Para entender a epistemologia dialética ou o método dialético para pesquisa científica, é preciso entender que a característica mais marcante e inovadora da teoria marxista é admitir a hegemonia da matéria sobre as ideias (oposto às concepções do idealismo filosófico).

Outra questão é que o método materialista histórico dialético de Karl Marx considera os fenômenos e objetos em sua totalidade, não deixando de lado as determinações políticas, econômicas e culturais, se diferenciando também do positivismo e da fenomenologia que isolam os fatos sociais na análise.

Pelos próprios conceitos explícitos na nomenclatura do método, pode-se identificar fundamentos chave da teoria marxista. O método é denominado de materialista, histórico e dialético. Portanto, esses três termos são fundamentais para entendimento do método.

1- A Dialética Marxista

A dialética, como dito anteriormente, foi conceito chave extraído de Hegel, mas com aplicabilidade materialista. O termo materialista identifica, justamente, a oposição ao idealismo e, histórico, porque reconhece a importância de se identificar a origem histórica dos processos e fenômenos sociais, diferentemente do positivismo e da fenomenologia que desconsideram esse aspecto da realidade nas suas análises.

2- O Materialismo Marxista

Na dimensão material, a consciência é um produto da matéria, é o reflexo do mundo material. O materialismo admite que a realidade existe independentemente da consciência.

3- O processo histórico do método marxista

Marx encara o processo histórico como o próprio movimento do devir humano e das suas ações sobre a natureza, principalmente advindas do trabalho, ou seja, todos os processos e fenômenos estudados apresentam resultados transitórios, pois, em outro momento histórico, o mesmo fenômeno ou objeto pode apresentar resultados diferenciados.

Outras características do método utilizado pelo sociólogo Karl Marx

Gil (2008) menciona a concepção de Engels sobre o materialismo dialético, que enfatiza que esse método se constitui em um método de interpretação da realidade baseado três grandes leis ou princípios:

  1. A unidade dos opostos;
  2. Quantidade e qualidade;
  3. Negação da negação.

A unidade dos opostos se caracteriza pela natureza contraditória dos fatos e fenômenos. Esses “opostos” se caracterizam pelo embate, pela luta entre si, pois não estão lado a lado. É esse movimento de oposição e superação dessa oposição que constitui a fonte do desenvolvimento da realidade (GIL, 2008).

Já a quantidade e qualidade são imanentes aos objetos e fenômenos de modo inter-relacional e as mudanças quantitativas vão conduzindo gradualmente a mudanças qualitativas na sociedade.

Por fim, a negação da negação talvez seja o princípio mais complicado de se entender no bojo do método materialista dialético de Marx, mas Gil (2008, p.13) explica que: “A mudança nega o que é mudado e o resultado, por sua vez, é negado, mas esta segunda negação conduz a um desenvolvimento e não a um retorno ao que era antes”.

No entanto, o materialismo histórico dialético possui categorias a serem estudadas, que são diversas e mais flexíveis do que as Leis gerais do método.

Uma categoria para se constituir enquanto tal deve ser constituída a partir da realidade, do real, do material e a partir do movimento da realidade determinada historicamente.

No entanto, a elaboração de uma categoria se dá a partir do movimento de captação desse real situado historicamente e transposto para a ideia e assim ser sintetizado no pensamento. A categoria é constitutiva da realidade e constituída a partir dela.

As categorias do método materialista histórico dialético não são fórmulas e sim sínteses que apreendem o movimento do real, sendo, ao mesmo tempo, lógicas e históricas, o que lhes garantem também o caráter de transitoriedade. Isso porque se as categorias são expressões do real, ao se modificarem este real se modificam também as próprias categorias.

Desse modo, são os homens que, ao produzirem determinadas relações sociais, a partir da própria produção material de suas vidas, criam as ideias, bem como as categorias, que são produtos, expressões abstratas destas mesmas relações sociais. Para Marx as categorias são tão pouco eternas quanto as relações das quais são expressão. Por isso são também produtos históricos e transitórios.

Há algumas categorias que são centrais no método materialista histórico dialético:

  • Contradição;
  • Práxis;
  • Matéria;
  • Consciência;
  • Prática social.

No entanto, como são expressões da realidade, pode haver quantas outras categorias forem necessárias para se entender a realidade social.

Mas no bojo dessas categorias, tem uma que é central para as análises materialistas: a contradição.

A contradição é imanente da realidade objetiva e advém da unidade da luta dos contrários, expressando a Lei da contradição. As contradições podem ser interiores e exteriores, essenciais e não essenciais, fundamentais e não-fundamentais, principais e acessórias (TRIVIÑOS, 1987).

Método dialético para TCC

Metodologia Científica: usando o método dialético de pesquisa

Epistemologia Dialética – Quais estudos que mais utilizam o método dialético de pesquisa?

Pode-se dizer que no âmbito acadêmico, a maioria das pesquisas qualitativas utilizam ou enunciam utilizar o método dialético no TCC ou no projeto de pesquisa como método dialético de pesquisa.

A grosso modo, o positivismo prioriza uma dimensão estritamente objetiva e quantitativa e a fenomenologia a dimensão existencialista e subjetiva. Veja mais em: Positivismo e o Método Positivista na Pesquisa Científica e Fenomenologia e o Método Fenomenológico

Já o método dialético de pesquisa visa compreender os objetos de estudos em sua dimensão totalitária. A epistemologia dialética deseja compreender e analisar desde a origem do fenômeno até as suas determinações (econômicas, políticas, filosóficas, sociais, cognitivas, éticas, estéticas) e implicações na vida humana, concreta, real, objetiva.

Na teoria marxista o que é estudado como consciência adquire outro significado do que é tratado pela fenomenologia. Para isso deve-se estudar com maior profundidade os conceitos do método materialista de Karl Marx.

Quais áreas científicas de pesquisa utilizam o Método de Karl Marx?

Todas as áreas do conhecimento utilizam o método de Karl Marx, mesmo as ciências exatas, esteja você pensando em utilizar o método dialético no TCC, no projeto científico, etc. Isso é possível pelo fato de que o materialismo requer uma flexibilidade metodológica que demanda do pesquisador, tanto técnicas quantitativas quanto qualitativas para melhor explicar os fatos e fenômenos.

Uma pesquisa positivista termina quando consegue quantificar os dados coletados sobre populações, instituições, dados demográficos, dentre vários outros. Para o método dialético de pesquisa essa fase é apenas o início da pesquisa científica, pois os dados coletados, quantificáveis, serão apenas a base para uma análise histórica, totalitária dos mesmos, servirão para refutar ou comprovar hipóteses acerca dos fatos e fenômenos sociais.

Materialismo Histórico Dialético na educação

Temas que utilizam o materialismo histórico de Karl Marx como método científico

Materialismo Histórico Dialético na educação e em outros temas

Alguns exemplos de temas de pesquisas em que o método materialista histórico dialético pode ser utilizado: todas as análises no âmbito educacional, econômico, social de políticas públicas que visam desvelar as reais contradições presentes nas mesmas; todas análises que considerem as diferenças econômicas e classes sociais, estudos com temáticas sobre o trabalho, sobre os modos de produção, sobre o capitalismo, etc.

São infindáveis as possibilidades e o método dialético de pesquisa pode ser utilizado e empregado por todas as áreas de conhecimento, o que realmente vai ser definidor na utilização do método marxista é a forma de tratar o objeto de estudo e realizar a análise deste.

Espera-se que este artigo tenha contribuído para um melhor entendimento do método materialista histórico dialético, da utilização do método nas pesquisas científicas como monografias, TCCs diversos, para Projetos de Pesquisa, etc, Além da diferença deste para os demais métodos de pesquisa!

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Referências

GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 2008.
MARX, Karl. Para a crítica da economia política. Salário, Preço e lucro. O rendimento e suas fontes. São Paulo: Abril cultural, 1982. (Os economistas).
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do partido comunista. São Paulo: Expressão Popular, 2008.
TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.