Você sabe o que é o Positivismo? Precisa entender o Método Positivista? Neste artigo vamos levantar importantes informações sobre as características do Positivismo e o que faz o pensamento positivista tão importante para a pesquisa científica.

Conheça um pouco mais desse método que começou com Augusto Comte e que influenciou profundamente o modo de se fazer pesquisa. Você vai ver exemplos do método, as críticas ao positivismo e a teoria positivista.

Vamos lá? Veja o que você vai aprender neste artigo:

Método Positivista de Augusto Comte

Método Positivista de Augusto Comte

Augusto Comte e o Positivismo

O Positivismo não emerge como método totalmente novo no século XIX com Augusto Comte, apesar de ter sido Comte o fundador dessa sistematização que se insere como tendência no interior da vertente de pensamento do idealismo filosófico e subjetivo.

O método positivista foi constituído com base em vários outros métodos, que tem suas origens na antiguidade, principalmente nos séculos XVI, XVII e XVIII com pensadores como Bacon, Hobbes e Hume. Suas raízes remontam ao empiricismo.

O método positivista, enquanto modo de produção do conhecimento a partir da realidade social, só pode ser entendido e compreendido de fato, se entendida à conjuntura que se passava no interior do pensamento europeu, principalmente na Alemanha.

Como surgiu o pensamento positivista? 

Predominava a época de Comte, a vertente de pensamento fundada no idealismo clássico alemão, cujo expoente era Hegel (dentre outros como Kant e Schelling). O pensamento positivista nasce como uma forte reação a essa filosofia denominada de especulativa, se posicionando como oposta à mera especulação, fundando aí uma de suas principais bases: a exaltação dos fatos. (TRIVIÑOS, 1987).

Triviños (1987) relata que o positivismo e o pensamento positivista tiveram três momentos em suas fases de evolução:

  1. Positivismo clássico;
  2. Empirio-criticismo;
  3. Neopositivismo.

O que era o positivismo?

Para entender o pensamento positivista, vamos ver o que era o positivismo antes de se concretizar. A primeira fase é a que teve como precursor Augusto Comte e outros pensadores como Littré, Spencer e Mill no século XIX. A segunda fase teve início no final do século XIX e início do século XX com pensadores como Avenarius e Mach. A terceira fase foi composta de várias vertentes até hoje reconhecidas, tais como o positivismo lógico que foi estritamente vinculado aos pensadores do Círculo de Viena; o atomismo lógico de Russell e Witgenstein; a filosofia analítica de Witgenstein e Ayer; o behaviorismo de Watson e o neobehaviorismo de Hull e Skinner.

Um dos positivistas muito conhecido no âmbito educacional e que teve influência significativa com sua corrente de pensamento na América foi Dewey, que fundou uma escola denominada de instrumentalismo ou naturalismo humanista. Teve influências também na política, desenvolvendo os princípios da democracia liberal e do individualismo.

Todas essas vertentes neopositivistas trazem em si o traço fundamental do pensamento positivista de Augusto Comte por serem idealistas e subjetivistas.

Pensamento e Teoria Positivista

Pensamento e Teoria Positivista

Teoria positivista de Augusto Comte 

Augusto Comte tinha três preocupações fundamentais em seu pensamento positivista. Eram elas:

  1. Filosofia da história: que contém a base filosófica de sua teoria positivista e o que ele denominou de “lei dos três estados”, que marcariam as fases do pensar humano entre teológico, metafísico e positivo;
  2. Fundamentação e classificação das ciências: baseando-se na matemática, astronomia, física, química, fisiologia e sociologia;
  3. Elaboração de uma disciplina: elaborou uma disciplina que estudasse então os fatos sociais denominada inicialmente de física social e, posteriormente, sociologia, como é conhecida atualmente. Por isso mesmo também foi considerado o “pai” da sociologia. (TRIVIÑOS, 1987).
Características do positivismo de Comte

Características do positivismo de Comte

O que é o Positivismo e suas características? 

É importante destacar as características do positivismo. O positivismo e demais métodos de pesquisa são considerados métodos de pesquisa nas ciências sociais. Por isso mesmo são utilizados em todas as áreas do conhecimento, pois o conhecimento emerge a partir do estudo da realidade social, onde toda e qualquer problemática das áreas científicas estão inseridas.

Com o positivismo não é diferente. Entenda o que caracteriza a perspectiva positivista para entender melhor o que é o positivismo!

A perspectiva positivista tem como característica fundamental a de supor que os fatos humanos são semelhantes aos fatos inerentes à natureza.

Decorre daí que os fatos sociais podem ser observados sem ideias preconcebidas, podem ser submetidos à experimentação e expressos em termos quantitativos que seriam explicados segundo leis gerais.

O que caracteriza a base filosófica positivista?

O que caracteriza a base filosófica positivista?

As 4 principais características da visão positivista

positivismo e sua teoria emergem então, na expectativa de buscar conhecimentos que fossem tão confiáveis quanto aqueles produzidos pelas ciências da natureza. As principais características que fundamentam a base filosófica do positivismo são quatro de acordo com Gil (2008):

  1. Objetividade e neutralidade: o conhecimento científico é objetivo e não deve sofrer nenhuma interferência do pesquisador;
  2. Experimentação: o processo de produção do conhecimento é calcado na experimentação;
  3. Quantificação: o conhecimento científico é quantitativo;
  4. Lei dos fatos: o conhecimento científico supõe que existem leis que determinam a ocorrência dos fatos;

No entanto, o modelo proposto pela visão positivismo cai totalmente em descrédito por sofrer críticas consistentes e sólidas, principalmente, porque o modelo proposto para conceber conhecimento passou a ser extremamente questionado.

Isso pelo fato de que o método positivista possui graves limitações quanto aos seus pressupostos fundamentais para o estudo do homem e da sociedade. As críticas ao método positivista mais consistentes e veementes foram desferidas por um grupo de pensadores marxistas da escola de Frankfurt com Adorno, Horkheimer, Habermas, dentre outros.

A busca pelo conhecimento a partir do método positivista exalta demasiadamente a observação dos fatos, pregando a submissão da imaginação à observação. A classificação dos fenômenos nunca se daria a priori e a explicação dos fenômenos se dariam pela relação dos mesmos baseados em uma teoria que os ligaria.

A função essencial da ciência sob o ponto de vista da visão positivista é a capacidade que possui de prever, ressaltando que o espírito positivo verdadeiro consiste em ver para crer. O esforço intelectual para isso é fundamentado na necessidade simultânea de ordem e progresso (lembraram aí da bandeira do Brasil? Pois é!).

Entenda os motivos principais das críticas ao positivismo de Comte

Entenda os motivos principais das críticas ao positivismo de Comte

Críticas ao positivismo e ao método positivista de pesquisa científica 

Vários são os problemas identificados com o método positivista e estas críticas ao positivismo como método são elencados por Gil (2008).

Um deles é o problema da objetividade, pois intenta tratar os fatos sociais como coisas (ponto de vista estabelecido por Durkheim), claramente na tentativa de fazer uma cópia dos procedimentos das ciências naturais para se aplicar às ciências sociais. Esse princípio fundamental do positivismo se mostra pouco aplicável e incompatível com a produção do conhecimento advinda da realidade social e das complexas relações humanas que dificilmente podem ser tratadas como coisas.

Os dados coletados, nessa perspectiva, são alheios ao conhecimento sensível e a qualquer tipo de subjetividade, o que também dificulta a busca do conhecimento para resolução de problemas vivenciados cotidianamente.

A questão da suposta neutralidade do pesquisador também foi duramente criticada, pois, uma pesquisa que usa positivismo científico, que visa compreender a realidade social torna o próprio pesquisador parte dessa mesma realidade que estuda. O pesquisador tem influência na pesquisa científica desde o momento que opta por pesquisar um determinado tema, pois escolhe o tema a partir de suas preferências, interesses pessoais e profissionais, com base em um sistema de crenças e valores pessoais apreendidos no decorrer de sua existência.

Outro problema é sobre a questão da experimentação, porque pesquisas científicas que envolvem experimentos dificilmente são empregadas nas ciências sociais, principalmente porque o pesquisador não tem o poder de interferir nos fenômenos a serem investigados. No âmbito da educação a experimentação é evitada e rejeitada atualmente, principalmente por ser considerada uma forte herança do positivismo. (GIL, 2008; TRIVIÑOS 1987).

Sobre as críticas à quantificação encaixa-se também a formulação positivista do princípio de verificação, pois, para os positivistas somente seria verdadeiro aquilo que fosse empiricamente verificável. Esse pressuposto deixava de lado da ciência todos aqueles conhecimentos que não são passíveis de serem comprovados de modo experimental. Por aí verifica-se uma das grandes fragilidades e limitações desse método para ser aplicado em pesquisas de cunho qualitativo e social.

Destacam-se também as críticas à quantificação e o enfoque quantitativo predominante e característico do método positivista. Isso porque ao pesquisar a realidade social e as relações humanas, dificilmente seria possível quantificar as variáveis a serem investigadas.

Triviños (1987) destaca que, a quantificação dos dados por meio do estabelecimento de variáveis permitia medir as relações entre os fenômenos e também testar hipóteses e estabelecer generalizações: “Uma das aspirações mais notadamente abrigadas pelos positivistas foi a de alcançar resultados na pesquisa social que pudessem generalizar-se. As técnicas de amostragem, os tratamentos estatísticos e os estudos experimentais severamente controlados foram instrumentos usados para concretizar estes propósitos.”

Outra questão que deve ser analisada é que os resultados estatísticos apenas quantificavam os dados sem nenhuma explicação para o que se identificava, ficava apenas na observação, sem as devidas análises dos dados. A pesquisa era finalizada onde se deveria iniciar…

Por último, mas não menos criticado, destaca-se o problema da generalização que se buscava nas pesquisas positivistas. Gil (2008, p.6) destaca:

“Não há como negar as limitações das ciências sociais; não apenas em relação à objetividade, mas também à generalidade. Se as pesquisas nas ciências naturais com freqüência conduzem ao estabelecimento de leis, nas ciências sociais não conduzem mais do que à identificação de tendências.”

Desse modo, o método positivista passou a ser visto como uma prática investigativa mecânica, que não conseguia explicar realidades específicas (devido ao problema da generalização do método, da repetição da pesquisa e dos resultados a serem encontrados), se tornando alheio às necessidades mundiais emergentes.

Todos esses problemas com os princípios que fundamentam o método positivista foram gerando críticas e debates no mundo acadêmico, levando o positivismo ao descrédito e desuso, sendo fortemente rebatido como método de produção do conhecimento, principalmente nos cursos de pós-graduação no interior das universidades.

→ Uma consideração ou ponderação para você que irá desenvolver uma pesquisa científica: esteja atento aos métodos de pesquisa e verifique aquele que melhor se adéqua para seu estudo, fique por dentro lendo este e outros artigos aqui no site!!!

Método Positivista de Pesquisa Científica

O Método Positivista de Pesquisa Científica

Epistemologia positivista: Quando utilizar o método positivista numa pesquisa científica? 

O método positivista, dada sua natureza, é utilizado em pesquisas de cunho quantitativo, estatístico, e em pesquisas experimentais que necessitam ser testadas, mensuradas, controladas. Os métodos de pesquisa positivista não estudam variáveis subjetivas que possam interferir nos estudos, não se preocupam com a origem e historicidade do objeto e visam a tão propalada “neutralidade” da ciência.

Nas pesquisas positivistas o estudo do objeto é feito de modo compartimentado, pois esse método positivista para pesquisa científica trata a realidade como partes isoladas e tem como objetivo central o de testar hipóteses e generalizar as mesmas para aplicabilidade, independente da realidade em que a pesquisa será desenvolvida. O método positivista é baseado na ordem e no rigor, com uma forte rigidez metodológica.

A epistemologia positivista tem início quando se definem todas as hipóteses e todos resultados prováveis inserindo as variáveis para teste e controlando, minuciosamente, os resultados das pesquisas.

Quando usar o Método Positivista em uma Pesquisa Acadêmica?

Quando usar o Método Positivista em uma Pesquisa Acadêmica?

Exemplo de Pesquisa com uso do método científico positivista 

Um exemplo de uma pesquisa positivista no âmbito da educação poderia ser o estudo de políticas públicas que apenas avaliam os resultados das ações implementadas, não fazendo análise qualitativa na busca pelas causas e origens dos resultados. Para o positivismo o resultado é o que importa e a forma de “resolver” o problema, por mais que seja uma solução paliativa, como é muito comum na política, de modo geral.

Outro exemplo que poderia se constituir objeto de estudo positivista, seria centrar o estudo no desenvolvimento da criança considerando apenas os aspectos do desenvolvimento cognitivo como fator, não avaliando as variáveis sócio-econômicas que influenciam diretamente nesse processo, pesquisando o objeto separado de sua totalidade.

Já no âmbito das ciências exatas a maioria das pesquisas são consideradas positivistas, principalmente pelo cunho estatístico e probabilístico de pesquisas experimentais e controladas.

Espera-se que este artigo tenha contribuído para um melhor entendimento. Conheça nossos outros artigos abaixo das referências e compartilhe nosso conteúdo.

Referências

GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 2008.
TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.